Não sei quando termina. Só sei que um dia a gente acorda e percebe que as coisas mudaram e que forçosamente você teve que mudar também.
Um dia você descobre o que é a dor, e descobre que terá que conviver com ela de agora em diante. E que terá que conviver com os dias em brancos do final de ano.
Um dia você se revolta com a vida, se revolta com as pessoas, se revolta com Deus. E daí então você vai crescendo, vai aprendendo, vai conquistando seu espaço, seus sonhos, suas metas.
Um dia você sente uma saudade tão grande e uma culpa enorme de não ter podido dizer adeus a quem mais te apoiou, e descobre que a vida não lhe da chances pra você se despedir das pessoas.
Um dia você descobre o que é falta. E descobre a força que tem só de estar vivo.
Um dia você conhece alguém diferente que gosta de passar os dias, que te faz sorrir, que te faz esquecer das dores, das magoas, das marcas. E você acaba esquecendo o mundo.
Mas um dia você se decepciona tanto que acaba parando de confiar nas pessoas.
Um dia você se pergunta o porquê é tão difícil as pessoas dizerem a verdade e tão fácil magoarem os outros.
Um dia você só quer ter alguém pra confiar, alguém que tenha coragem o suficiente de dizer o que pensa, o que sente e o que quer. Alguém que sinta sua falta. Alguém que não seja dominado por suas carências e pelo seu medo de ficar sozinho. Alguém que saiba conduzir sua vida por conta própria. Alguém que não seja tão conformado.
Há dias que você só quer esquecer. Dias que você embarca em vagões solitários, sem hora de chegada, e descobre que se passaram muitos dias, desde a sua partida.
E de dias tão cinzas, dos temporais de dentro você vai aprendendo que não da pra fugir sempre, que às vezes a ferida deve ser exposta ao sol, e que mesmo que não cicatrize, você deve aprender a tratá-la, antes que ela domine você.
Não sei se um dia a dor passa, se a saudade diminui, ou se você para de sofrer. Mas aos poucos você vai se tornando uma pessoa flexível.
Porque um dia eu percebi que quando se perde um pai qualquer dor que daqui pra frente venha é pequena demais, e que qualquer magoa ou decepção que a vida lhe prega é inferior daquilo que você carrega dos anos.
Porque um dia eu percebi que quando se perde um pai qualquer dor que daqui pra frente venha é pequena demais, e que qualquer magoa ou decepção que a vida lhe prega é inferior daquilo que você carrega dos anos.
Brenda Jorge
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"E do excesso de sentido ao sentimento desmedido,
fui me deixando ir."
Carina B.


